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"Cidadãos deveríamos ser todos. Desde o início dos tempos. Ao nascer receberíamos, junto com a certidão de nascimento, um certificado de garantia (de cidadania) que nos assegurasse todos os direitos para uma vida justa e digna nesta rápida passagem pela Terra."
Assim está grafado o texto inicial do livro Cidadania para principiantes, publicação da Ática construída a quatro mãos pelo escritor Carlos Eduardo Novaes e pelo artista gráfico César Lobo.
Esta é a terceira experiência conjunta da dupla, que já lançou os títulos Sexo para principiantes e História do Brasil para principiantes. "Gosto do texto do Novaes", diz Lobo, que, além de ilustrador, atua também com grande reconhecimento como roteirista, autor de histórias em quadrinhos e de desenhos animados. "Acho que o texto do Novaes se encaixa perfeitamente ao tipo de desenho que faço", completa o artista gráfico.
Acompanhe a seguir a entrevista exclusiva que César Lobo concedeu ao Boletim Ática.
Boletim Ática: Como foi criada a dupla e a parceria entre você e Carlos Eduardo Novaes? Boletim Ática: Como assim? Boletim Ática: Como foi a experiência conjunta em Cidadania para principiantes? Boletim Ática: Qual o significado, em sentido amplo, que a palavra cidadania tem para você?
César Lobo: Quem ilustrou outros livros do Carlos Eduardo Novaes foi o Vilmar, que infelizmente faleceu. Depois desse episódio, fui procurado pelo Novaes, que me propôs ilustrar os livros Sexo para principiantes e História do Brasil para principiantes. Gostei da idéia, até porque já conhecia o trabalho dele. Lembro que o Novaes costumava trazer junto com o texto do livro um roteiro de orientação para o ilustrador. O Vilmar seguia à risca o roteiro. Comigo foi diferente.
Lobo: Acho que comigo foi, ao mesmo tempo, mais complicado e criativo. Aos poucos, assumimos uma condição coletiva de trabalho. Depois de um primeiro tratamento para os desenhos, fazemos reuniões, discutimos idéias e apresentamos inúmeras sugestões. É importante neste estágio estarmos preparados para a diversidade de opiniões. A verdade é que, trabalhando dessa maneira, o resultado das ilustrações vem melhorando a cada novo livro.
Lobo: Quem deu a idéia do tema do livro foi a minha esposa, Graça Frossard, que é advogada. Ela acredita muito na idéia de que o conceito de cidadania deve ser amplamente difundido, inclusive nas escolas. No desenvolvimento de Cidadania para principiantes, a Graça também palpitou bastante. Aliás, na Escola de Magistratura do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, onde a Graça é diretora, muitos professores, procuradores e juízes já devoraram nosso livro.
Lobo: Acho que ninguém sabe muito bem o que é cidadania. Diria que é algo assim como o aumento da auto-estima das pessoas, que passam a compreender seu papel no mundo como sujeitos. É um conceito que se espalhou no Brasil e em todo o mundo, felizmente. Trata-se de um fenômeno mundial. A guerra que o Bush fez contra o Iraque é um bom exemplo desse fenômeno: os protestos contra a ação foram em escala global. O que ocorreu foi uma legítima manifestação de cidadania. Penso que nosso livro ajuda muito a entender as vastas possibilidades do termo.
Data:
14/05/2003