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O jovem jornalista e escritor Luís Fernando Pereira, nascido em São Paulo em 1976, marcou sua estréia literária publicando pela Ática o título A vida lá fora. Agora, o autor apresenta Caminho de volta, dentro da série "Vaga-Lume Júnior". Luís Fernando admite que este livro pode ser compreendido como uma história de amor infantil.
No enredo, o protagonista Energia encarna as agruras, alegrias e enganos dos primeiros anos de nossas vidas, época em que somos reféns dos humores adultos, época também em que nem sempre sabemos explicar o que sentimos, tanto para nos defendermos das injustiças de que somos alvo, quanto para demonstrarmos que gostamos muito de alguma pessoa.
Formado em jornalismo, com mestrado em comunicação e semiótica, o escritor realiza atualmente seu doutorado nesse mesmo campo. "Além da literatura, me interesso muito por mitologia, pela América Latina e pelas diferentes culturas do continente", afirma. "Sempre que posso, viajo pelo Brasil e pelo continente, para não esquecer como é vasta a terra."
Acompanhe abaixo a entrevista que Luís Fernando Pereira concedeu ao Boletim Ática, em que faz diversos comentários sobre a estrutura de Caminho de volta e indica a direção de seu novo projeto literário.
Boletim Ática: Caminho de volta pode ser considerado memorialístico ou tudo nele é ficção? Boletim Ática: Energia, o personagem central, não possui um nome de verdade. Qual a razão dessa opção? Boletim Ática: Por que mencionou um grande autor em cada abertura de capítulo? Há uma função didática nisso? No caso do narrador, a fantasia é uma forma de fuga. No caso dos autores citados - e de muitos outros -, a fantasia serve como recurso para a criação, para a realização. O problema não é a fantasia, mas o uso que fazemos dela. Pode ser uma fuga da realidade ou um recurso para realizar algo no mundo real. Boletim Ática: Como observa os labirintos que envolvem as crianças mais sensíveis? O risco de incompreensões, e conseqüente prejuízo emocional, é muito grande? Normalmente, quem tem autoridade também conta com certa admiração, principalmente das crianças. E tendemos a imitar o que vemos naqueles que admiramos. Então, se quem tem poder comete abusos, é grande a chance de estarmos formando crianças que também vão abusar do poder que terão um dia. Boletim Ática: Caminho de volta pode ser entendido como uma ótima história de amor infantil? Boletim Ática: E seus próximos projetos?
Luís Fernando Pereira: O livro apresenta algumas caricaturas de situações que vivi, que vi outros viverem, que amigos me contaram que viveram. Outras situações e personagens são criações completamente ficcionais. Mas se é verdade que sempre escrevemos sobre coisas que de alguma forma conhecemos, então a memória e a ficção estão presentes ao longo de todo o livro.
Luís Fernando: O narrador dá muito mais importância para a sua vida no mundo da fantasia do que para o mundo real. Sem dúvida, ele gosta mais de ser Energia do que de ser ele mesmo. De certa forma, Energia sempre foi mais importante que seu nome de verdade.
Luís Fernando: É um convite para que os leitores leiam esses escritores. Essa é a função didática. Outra razão é mostrar como a fantasia pode ser empregada.
Luís Fernando: Creio que sim. Existe uma estrutura de relações de poder - que podemos observar na família, na escola, entre as próprias crianças - que não dá muita chance para a sensibilidade. Vivemos numa sociedade que costuma abusar do poder de várias formas. Esse, para mim, é o principal problema: os abusos cometidos por quem tem autoridade e poder.
Luís Fernando: Sim, é uma história de amor. Com todos os avessos e desencontros que tornam o amor interessante.
Luís Fernando: Estou trabalhando em algo que tem a cidade de São Paulo como cenário, talvez a cidade como personagem. Gostaria de explorar um pouco sua complexidade. Mas ainda estou dando os primeiros passos.
Data:
13/09/2006